quinta-feira, 20 de abril de 2017

Perdoar foi sua única saída

  

 Vivia nos arredores de um povoado bem distante da Ilha da Preguiça um jovem de aparência não tão elegante, mas de uma alma bondosa que compensava a sua falta de beleza exterior. Do outro lado da Ilha havia uma elegante moça. Filha única, muito mimada pelos pais, vaidosa, conservava em si um forte desejo de ser independente e de se libertar do forte protecionismo paterno. Ele, um jovem corajoso, destemido, valente, bom pescador, amante da natureza e responsável por ganhar o pão da família. Seus pais eram anciãos e doentes. Ela, moça acomodada, recebia tudo de que necessitava dos pais sem o mínimo de esforço. Por vezes, até banho a mãe dava na filha e, olha que a menina já não era mais uma criança, tinha seus 20 anos de idade. Mas como os pais faziam os caprichos da filha, a mãe se sentia na obrigação de dar banho na menina com medo de que ela não soubesse se banhar direito. O tempo passava e numa dessas tardes ensolarada e de muito calor, a jovem sufocada pelo intenso calor e com preguiça de tirar água do poço para se banhar, sai e vai molhar o seu corpo em uma lagoa que ficava um pouco distante da sua casa. Mal sabia ela que a lagoa era profunda. A jovem vai entrando naquela água escura, não vê nada e seus pés não alcançavam tocar o fundo da lagoa. Voltar não conseguia mais e para complicar ainda mais ela não sabia nadar e aos poucos vai se afundando. Ela entra em desespero e começa a se debater desesperadamente grita por socorro e entre gritos de socorro e goladas de água ela ia se afogando. Pela força do destino ou simplesmente pura sorte, nessa mesma lagoa o tal jovem estava pescando. Não tinha pego nenhum peixe naquela tarde. “O dia não estava para peixe”, como se costuma dizer. Ele estava chateado porque já caia à tarde e previa que não iria levar nenhum peixe para seus pais, que aguardavam ansiosamente, pois era a única comida que eles tinham para comer naquela noite. Pensava ele o que fazer e como conseguir alguma coisa para os seus pais comerem, olhava para a isca do anzol e nada de peixe. Enquanto estava preocupado com o que conseguir para os seus pais vê distante alguma coisa se batendo na água. Pensa consigo: - deve ser um peixe, vou até lá para pegá-lo. Pega a vara e a isca e sai correndo. A vontade de pegar o peixe era tão grande que corria muito e nem olhava a onde estava pisando. Ficava um pouco distante do local que havia visto a coisa se batendo, por isso corre, corre e de repente tropeça em uma raiz e cai na água. Decepcionado pela queda na água e por haver espantado o peixe, se levanta d'água e vê que a coisa segue se debatendo. - Ué diz ele, como pode o peixe segue pulando com todo esse barulho que fiz? Por um instante vê uma mão lhe acenando, como se estivesse pedindo socorro. O jovem deixa tudo, a vara, o anzol, a isca e sai ao encontro desse vulto. Ao chegar vê a jovem bebendo os seus últimos goles de água. Agarra-a pelos cabelos e puxa para cima. Segura seu corpo e vai nadando até a margem da lagoa. Ela desmaiada, já não respirava mais. Ele ao vê-la nessa situação, fez o que havia visto nos filmes que assistira: aperta o peito da moça e sopra na sua boca por várias vezes. Milagrosamente a moça começa a se mexer, vomita toda água que havia engolido. Aos poucos vai se recuperando. Ao abrir os seus olhos ela se assusta e grita por seus pais, que já vinham aflitos a sua procura. Ao ver o rapaz, o velho pensou consigo: - esse safado está se aproveitando da minha filha inocente. Saca a sua arma e atira no rapaz. Por infelicidade do moço a bala atinge a sua vértebra. Esse retorcendo de dor continua ao lado da moça. Quando os pais dela se aproximaram viram que o moço havia salvado a sua filha. O rapaz ao ser atingido pelo tiro já não conseguia mais se levantar. Sente que havia perdido os movimentos das pernas e dos braços. O sangue saindo e a dor foi aumentando. Enquanto a moça recupera sua vida, o jovem sente que está perdendo a sua. Os pais da moça percebem o mal que haviam feito, pedem perdão ao jovem e esse mesmo sem saber se iria sobreviver, mas consciente de que havia ajudado a moça a se salvar, perdoa dizendo:- o senhor não sabia o que estava fazendo ao disparar em mim. O importante é que sua filha está salva. Quanto a mim, Deus dará as forças necessárias para que eu possa superar essa deficiência e seguir cuidando dos meus pais, pois são doentes e não podem trabalhar.

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