Vivia nos arredores de um povoado bem distante da Ilha da Preguiça um jovem de aparência não tão elegante, mas de uma alma bondosa que compensava a sua falta de beleza exterior. Do outro lado da Ilha havia uma elegante moça. Filha única, muito mimada pelos pais, vaidosa, conservava em si um forte desejo de ser independente e de se libertar do forte protecionismo paterno. Ele, um jovem corajoso, destemido, valente, bom pescador, amante da natureza e responsável por ganhar o pão da família. Seus pais eram anciãos e doentes. Ela, moça acomodada, recebia tudo de que necessitava dos pais sem o mínimo de esforço. Por vezes, até banho a mãe dava na filha e, olha que a menina já não era mais uma criança, tinha seus 20 anos de idade. Mas como os pais faziam os caprichos da filha, a mãe se sentia na obrigação de dar banho na menina com medo de que ela não soubesse se banhar direito. O tempo passava e numa dessas tardes ensolarada e de muito calor, a jovem sufocada pelo intenso calor e com preguiça de tirar água do poço para se banhar, sai e vai molhar o seu corpo em uma lagoa que ficava um pouco distante da sua casa. Mal sabia ela que a lagoa era profunda. A jovem vai entrando naquela água escura, não vê nada e seus pés não alcançavam tocar o fundo da lagoa. Voltar não conseguia mais e para complicar ainda mais ela não sabia nadar e aos poucos vai se afundando. Ela entra em desespero e começa a se debater desesperadamente grita por socorro e entre gritos de socorro e goladas de água ela ia se afogando. Pela força do destino ou simplesmente pura sorte, nessa mesma lagoa o tal jovem estava pescando. Não tinha pego nenhum peixe naquela tarde. “O dia não estava para peixe”, como se costuma dizer. Ele estava chateado porque já caia à tarde e previa que não iria levar nenhum peixe para seus pais, que aguardavam ansiosamente, pois era a única comida que eles tinham para comer naquela noite. Pensava ele o que fazer e como conseguir alguma coisa para os seus pais comerem, olhava para a isca do anzol e nada de peixe. Enquanto estava preocupado com o que conseguir para os seus pais vê distante alguma coisa se batendo na água. Pensa consigo: - deve ser um peixe, vou até lá para pegá-lo. Pega a vara e a isca e sai correndo. A vontade de pegar o peixe era tão grande que corria muito e nem olhava a onde estava pisando. Ficava um pouco distante do local que havia visto a coisa se batendo, por isso corre, corre e de repente tropeça em uma raiz e cai na água. Decepcionado pela queda na água e por haver espantado o peixe, se levanta d'água e vê que a coisa segue se debatendo. - Ué diz ele, como pode o peixe segue pulando com todo esse barulho que fiz? Por um instante vê uma mão lhe acenando, como se estivesse pedindo socorro. O jovem deixa tudo, a vara, o anzol, a isca e sai ao encontro desse vulto. Ao chegar vê a jovem bebendo os seus últimos goles de água. Agarra-a pelos cabelos e puxa para cima. Segura seu corpo e vai nadando até a margem da lagoa. Ela desmaiada, já não respirava mais. Ele ao vê-la nessa situação, fez o que havia visto nos filmes que assistira: aperta o peito da moça e sopra na sua boca por várias vezes. Milagrosamente a moça começa a se mexer, vomita toda água que havia engolido. Aos poucos vai se recuperando. Ao abrir os seus olhos ela se assusta e grita por seus pais, que já vinham aflitos a sua procura. Ao ver o rapaz, o velho pensou consigo: - esse safado está se aproveitando da minha filha inocente. Saca a sua arma e atira no rapaz. Por infelicidade do moço a bala atinge a sua vértebra. Esse retorcendo de dor continua ao lado da moça. Quando os pais dela se aproximaram viram que o moço havia salvado a sua filha. O rapaz ao ser atingido pelo tiro já não conseguia mais se levantar. Sente que havia perdido os movimentos das pernas e dos braços. O sangue saindo e a dor foi aumentando. Enquanto a moça recupera sua vida, o jovem sente que está perdendo a sua. Os pais da moça percebem o mal que haviam feito, pedem perdão ao jovem e esse mesmo sem saber se iria sobreviver, mas consciente de que havia ajudado a moça a se salvar, perdoa dizendo:- o senhor não sabia o que estava fazendo ao disparar em mim. O importante é que sua filha está salva. Quanto a mim, Deus dará as forças necessárias para que eu possa superar essa deficiência e seguir cuidando dos meus pais, pois são doentes e não podem trabalhar.
Cuentos e Outros
quinta-feira, 20 de abril de 2017
Perdoar foi sua única saída
Vivia nos arredores de um povoado bem distante da Ilha da Preguiça um jovem de aparência não tão elegante, mas de uma alma bondosa que compensava a sua falta de beleza exterior. Do outro lado da Ilha havia uma elegante moça. Filha única, muito mimada pelos pais, vaidosa, conservava em si um forte desejo de ser independente e de se libertar do forte protecionismo paterno. Ele, um jovem corajoso, destemido, valente, bom pescador, amante da natureza e responsável por ganhar o pão da família. Seus pais eram anciãos e doentes. Ela, moça acomodada, recebia tudo de que necessitava dos pais sem o mínimo de esforço. Por vezes, até banho a mãe dava na filha e, olha que a menina já não era mais uma criança, tinha seus 20 anos de idade. Mas como os pais faziam os caprichos da filha, a mãe se sentia na obrigação de dar banho na menina com medo de que ela não soubesse se banhar direito. O tempo passava e numa dessas tardes ensolarada e de muito calor, a jovem sufocada pelo intenso calor e com preguiça de tirar água do poço para se banhar, sai e vai molhar o seu corpo em uma lagoa que ficava um pouco distante da sua casa. Mal sabia ela que a lagoa era profunda. A jovem vai entrando naquela água escura, não vê nada e seus pés não alcançavam tocar o fundo da lagoa. Voltar não conseguia mais e para complicar ainda mais ela não sabia nadar e aos poucos vai se afundando. Ela entra em desespero e começa a se debater desesperadamente grita por socorro e entre gritos de socorro e goladas de água ela ia se afogando. Pela força do destino ou simplesmente pura sorte, nessa mesma lagoa o tal jovem estava pescando. Não tinha pego nenhum peixe naquela tarde. “O dia não estava para peixe”, como se costuma dizer. Ele estava chateado porque já caia à tarde e previa que não iria levar nenhum peixe para seus pais, que aguardavam ansiosamente, pois era a única comida que eles tinham para comer naquela noite. Pensava ele o que fazer e como conseguir alguma coisa para os seus pais comerem, olhava para a isca do anzol e nada de peixe. Enquanto estava preocupado com o que conseguir para os seus pais vê distante alguma coisa se batendo na água. Pensa consigo: - deve ser um peixe, vou até lá para pegá-lo. Pega a vara e a isca e sai correndo. A vontade de pegar o peixe era tão grande que corria muito e nem olhava a onde estava pisando. Ficava um pouco distante do local que havia visto a coisa se batendo, por isso corre, corre e de repente tropeça em uma raiz e cai na água. Decepcionado pela queda na água e por haver espantado o peixe, se levanta d'água e vê que a coisa segue se debatendo. - Ué diz ele, como pode o peixe segue pulando com todo esse barulho que fiz? Por um instante vê uma mão lhe acenando, como se estivesse pedindo socorro. O jovem deixa tudo, a vara, o anzol, a isca e sai ao encontro desse vulto. Ao chegar vê a jovem bebendo os seus últimos goles de água. Agarra-a pelos cabelos e puxa para cima. Segura seu corpo e vai nadando até a margem da lagoa. Ela desmaiada, já não respirava mais. Ele ao vê-la nessa situação, fez o que havia visto nos filmes que assistira: aperta o peito da moça e sopra na sua boca por várias vezes. Milagrosamente a moça começa a se mexer, vomita toda água que havia engolido. Aos poucos vai se recuperando. Ao abrir os seus olhos ela se assusta e grita por seus pais, que já vinham aflitos a sua procura. Ao ver o rapaz, o velho pensou consigo: - esse safado está se aproveitando da minha filha inocente. Saca a sua arma e atira no rapaz. Por infelicidade do moço a bala atinge a sua vértebra. Esse retorcendo de dor continua ao lado da moça. Quando os pais dela se aproximaram viram que o moço havia salvado a sua filha. O rapaz ao ser atingido pelo tiro já não conseguia mais se levantar. Sente que havia perdido os movimentos das pernas e dos braços. O sangue saindo e a dor foi aumentando. Enquanto a moça recupera sua vida, o jovem sente que está perdendo a sua. Os pais da moça percebem o mal que haviam feito, pedem perdão ao jovem e esse mesmo sem saber se iria sobreviver, mas consciente de que havia ajudado a moça a se salvar, perdoa dizendo:- o senhor não sabia o que estava fazendo ao disparar em mim. O importante é que sua filha está salva. Quanto a mim, Deus dará as forças necessárias para que eu possa superar essa deficiência e seguir cuidando dos meus pais, pois são doentes e não podem trabalhar.
Isso aconteceu comigo
Estava deitado em um leito de hospital retorcendo-me de dor de um lado para outro da cama e aguentando caladamente uma tremenda dor de estômago. Dor essa que padecia há alguns anos, quando inesperadamente entra pela porta aquela que se dizia ser minha esposa que juntos compartilhamos longos e porque não dizer, lindas noites de amor. Quantos beijos, quantas carícias, quantas palavras e frases, eu te amo, eu te quero, você é o grande amor da minha vida. O nosso amor será eterno, nascemos um para o outro. Vou te amar até os últimos da minha vida. Bons tempos, boas lembranças, bons fluídos que marcaram as nossas vidas. Muitas juras de amor. Serei fiel a você. Era um filme, era uma imaginação ou quem sabe uma realidade que, mesmo agora nesse momento de incerteza se eu iria morar no andar de cima ou ainda permaneceria no térreo vivenciava naquele instante. Não conseguia esquecer os prazerosos momentos que passamos juntos. Enquanto tudo isso passava por minha mente, a minha ou aquela que se dizia ser minha esposa acabava de pronunciar uma frase que me fez sofrer mais do que a dor cancerígena que me corroía dia após dia naquele Hospital. Meio como sussurrando aos ouvidos do outro, mas consegui ouvir – esse é o homem que há vários anos, de quem lhe falei, que eu não amava mais, que não sentia mais nada por ele bem antes de ficar doente e que agora ao encontrar-se nesta situação tão deprimente estou contando os seus últimos minutos para dizer-lhe definitivamente adeus. Mal sabia ela que mesmo naquela lamentável situação consegui ouvir aquela injúria contra mim. Seguia ela dizendo: – tenha um pouco mais de paciência, eu fiquei durante vários e vários anos me cuidando para entregar-me por completa a você. É só questão de tempo. Ouvi do outro uma resposta do outro uma resposta segura e decisiva: – já que você se preparou para entregar-se por inteira a mim, terei toda paciência meu amor para lhe esperar. Sei que no momento certo iremos recuperar essa longa espera. Deixe esse pobre moribundo morrer e depois de enterrá-lo seremos felizes para sempre. Continuava a outra: – pobre infeliz, além de morrer, não poderá mais acariciar-me. Olhando para mim aquela se dizia ser minha esposa, e ele acariciando-a dizia: – esse corpo lindo que você tem meu amor, esse rosto perfeito, esses lábios carnudos e esses olhares apaixonados. Essas pernas bem torneadas, não vejo a hora de tê-las todinhas só para mim. Enquanto os dois se apertavam para passar na porta estreita do quarto do Hospital, eu padecia naquele leito de morte sem saber se era a dor cancerígena que doía mais ou a dor do desprezo que acabava de ouvir. Via as luzes que iam se apagando, uma mulher de branco correndo de um lado para outro, um senhor bem sisudo me olhava e aos poucos os meus olhos iam se fechando de tanta dor. O alarme dispara, ouve-se uma voz, um grito: – traga o balão de oxigênio, aonde está o massageador? precisamos reanimar este paciente, olha só, ele parou de respirar e o coração está parando. São os últimos suspiros!. E lá no canto do quarto continuavam os dois, aquela que se dizia ser minha mulher e o outro: – é dessa vez que ele se vai, dessa vez ele não escapa. Pergunta o outro para aquela que se dizia ser minha mulher: – para onde iremos viajar na nossa lua-de-mel? Quero tirá-la desse lugar e levá-la para um lugar bem longe, já que o tempo de espera foi muito longo para nós dois. Médicos e enfermeiras olhavam um para o outro e diziam entre si: – pobre homem, finalmente descansará em paz, não irá sofrer mais e sua família poderá retornar a viver normalmente. Continuavam os médicos e enfermeiras: não é fácil ficar ao lado de um moribundo dia e noite durante muito tempo como essa família ficou. Pensava eu comigo mesmo: - se esses médicos e essas enfermeiras soubessem o quanto padeci em vida, sem poder nos últimos anos tocar no corpo da minha ou naquela que se dizia ser minha mulher, sem ouvir uma só palavra que me amava e nem sentir o seu carinho durante centenas de noites e agora vocês dizem que a minha família vai descansar em paz depois de ter sofrido por haver cuidado de mim? Que absurdo é esse. O meu corpo foi ficando frio, já não sentia mais os movimentos dos meus dedos, perdi completamente a sensibilidade dos meus pés. Como se fosse um véu tapando os meus olhos e aos poucos escureceu por completo. - Confesso para você que naquele momento chorei, abracei o velho João, já com seus noventa e tantos anos de vida, pela coragem que ele teve de me contar a sua triste história. O seu João me olhou dentro dos meus olhos e disse: - menino, você é a primeira e a única pessoa que tive a coragem de contar a minha história. Eu, sem saber se lhe perguntava ou não sobre a sua mulher, que fim havia tido e como ele havia conseguido sobreviver, acabei me derretendo em choro. Não tive outra reação a não ser chorar. Não venham dizer os machões que homem que é homem não chora, porque isso não é verdade. Só não chora quem não tem sentimento, sensibilidade e amor. Foi difícil, mas naquele momento levantei a cabeça e vi que o seu João deu umas entortadas nas pernas, me olhou no fundo dos meus olhos novamente e disse: - posso agora ir em paz, finalmente tive a coragem de contar o que aconteceu comigo. Quanto aquela que se dizia ser minha mulher sabe que..., não deu tempo dele terminar a frase, seu corpo foi caindo e eu ao vê-lo cair o segurei e o seu João acabou morrendo nos meus braços. Meio sem saber o que fazer e nem o que dizer naquele momento, acabei dizendo:- velho João, agora sim o senhor poderá descansar em paz e ninguém jamais irá lhe perturbar. E o seu segredo vou mantê-lo para sempre. De agora em diante o seu segredo será o meu segredo, sua história será a minha história que se perpetuará para sempre na minha memória.
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